quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Dieta Sensorial - Tratamento de Transtorno de Integração Sensorial

A Dieta Sensorial - Tratamento de Transtorno de Integração Sensorial
Se a criança tem sintomas de Transtorno de Integração Sensorial conversa com seu médico (Pediatra ou Neuropediatra) que podem encaminhá-lo a um Terapeuta Ocupacional especialista na abordagem Integração Sensorial para uma avaliação. Ela pode fazer-lhe perguntas sobre comportamento, hábitos alimentares, ou preocupações de desenvolvimento em sua avaliação. Ela pode usar um questionário padronizado(Perfil sensorial) para avaliar o seu filho para disfunção sensorial.



A Dieta Sensorial


Que é uma "dieta sensorial"? Não, esta não é uma dieta de apenas determinados alimentos ou calorias determinado. Uma dieta sensorial é um termo usado para descrever as atividades sensoriais que são usadas para tratar crianças com Transtorno de Integração Sensorial. Seu terapeuta ocupacional irá criar um "menu" de atividades para fazer com seu filho. Ela terá que realizar essas atividades em uma ordem específica para criar uma "refeição" sensorial ou "snack". Assim como as dietas nutricionais, a dieta sensorial é projetado para as necessidades sensoriais de seu filho. Seu terapeuta ocupacional irá criar um plano de atividades para fazer durante o dia.
Uma dieta sensorial é um programa de atividade planejada e programada, que inclui uma combinação de alertas, calmante, e organização de atividades. É baseado no princípio de que certas atividades que terão um efeito modulador sobre o sistema nervoso, por um período de tempo limitado e, portanto, deve ser repetido durante todo o dia. Através do uso de uma dieta individualizada sensoriais, incorporando toque pressão profunda, o trabalho pesado, e movimento, uma pessoa torna-se mais concentrada, adaptáveis e habilidosos em suas atividades diárias.
Ensine as crianças a regular o seu sistema sensorial com a Dieta Sensorial
- Movimento e equilíbrio (vestibular)

- Movimento e Resistência (propriocepção)

- Tátil

- Motor-Oral

- Visuais, auditivas e olfativas


Atividades que são tipicamente de ALERTA sensorial





- andar rápido, pular, saltitar, polichinelo,pular corda, trilha com obstáculos( cama elástica, tábua de equilibrio, balanço)

- música - freqüências mais baixas que provocam o movimento (bateria), enquanto que as freqüências mais elevadas podem envolver a atenção (flautas)

- temperaturas frias (incluindo alimentos)

- escovação rápida e toque leve e profundo

- movimento rápido, especialmente rotação

- sabores azedo ou picante

- usar os músculos para o "trabalho pesado" de empurrar, puxar, contra a resistência (tende a ser tanto de alerta e de organização, isso pode ajudar a diminuir "motores muito rápido" e aumentar "os motores muito lento")




Atividades para ACALMAR o nivel sensorial


- Atividades táteis (pintura,argila,areia,massinha, água, colagem com cereais (feijão)

- música lenta (clássica ou sons de natureza - pássaros,ondas, água)

- toque de pressão constante e firme, ou apertar (abraço forte, compressão profunda,sentar em cima de almofadas ou puff)

- usar os músculos para o "trabalho pesado"(empurrar uma parede, puxar uma corda, carregar livros)

- sabores doce (pirulito, suco com canudinho)

- movimentos lineares lentos com ritmos(rede e balanço)

- Relaxamento com pressão profunda


Massagem toque profundo -Relaxamento.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Células-tronco ensinando a tratar doença de Rett.

Células-tronco ensinando a tratar doença de Rett.Por Mayana Zatz
Recentemente relatei uma pesquisa desenvolvida pela doutora Maria Rita Passos-Bueno, do Centro do Genoma Humano, mostrando como células-tronco obtidas da polpa dentária de crianças com lábio leporino e palato fendido ajudavam a desvendar os mecanismos responsáveis pelo aparecimento dessa malformação congênita. Agora uma nova pesquisa realizada pela doutora Maria Carolina Marchetto e doutor Alysson Muotri, dois cientistas brasileiros, permite um salto importante. A partir de células de pele (fibroblastos) obtidos de meninas com síndrome de Rett – uma doença genética neurológica progressiva – esses cientistas conseguiram gerar neurônios, descobrir o que havia de errado neles e propor estratégias para corrigir o defeito genético. O trabalho que foi publicado na revista CELL é um exemplo de como, além da terapia celular, as células-tronco podem contribuir para descobrir mecanismos que causam doenças e indicar novos caminhos para tratá-las. Para falar mais sobre conversei com o doutor Alysson Muotri que foi o coordenador dessa pesquisa e que atualmente está na Universidade da California.

Doutor Alysson, você poderia explicar o que é a síndrome de Rett e por que ela só afeta quase que exclusivamente meninas?


A síndrome de Rett é uma doença causada por alterações no gene chamado MeCP2, cuja função ainda não é bem estabelecida. Esse gene se localiza no cromossomo X, e é importante para estágios iniciais do desenvolvimento humano. Dessa forma, meninos (XY) que possuem apenas uma cópia do gene, têm menos chances de sobreviver caso aconteçam alterações no MeCP2. Meninas (XX) por outro lado, possuem duas cópias do gene, sobrevivendo melhor durante o desenvolvimento, pois a outra compensa até certo ponto. Existem alguns raros meninos com Rett que conseguem sobreviver, mas neles o quadro clínico é bem mais dramático do que nas meninas.

Já ouvi mais de uma pessoa dizendo que vocês haviam descoberto a cura para o autismo. Qual é a diferença entre a síndrome de Rett e autismo?


A síndrome de Rett faz parte do que chamamos de doenças do espectro autista. Essas doenças têm em comum os comportamentos repetitivos e dificuldade na socialização. Como o próprio nome diz, o “espectro” ou leque de doenças, sugere que existam casos mais amenos e outros mais severos. A síndrome de Rett está no extremo mais severo do espectro autista, pois além dos problemas comportamentais, as crianças também apresentam dificuldades motoras progressivas. Além disso, o gene responsável por essa síndrome já é bem conhecido.

Para estudar o que causa a síndrome de Rett vocês precisaram diferenciar células retiradas da pele em neurônios. Como vocês fizeram isso?

Meu grande sonho é poder estudar o desenvolvimento neural de pacientes com doenças psiquiátricas no laboratório. Até então tínhamos duas opções: modelos animais ou tecidos cerebrais doados após o falecimento do paciente. No primeiro caso, os modelos animais são limitados. Apesar de serem ótimos para pesquisar alterações motoras da doença, o comportamento social e cognitivo é difícil de ser estudado. Na segunda alternativa, os tecidos postmortem chegam aos laboratórios em condições precárias. Além disso, os efeitos e danos causados pela doença já aconteceram. Fica difícil então determinar quais foram os eventos iniciais que originaram o processo patológico.
Cerca de quatro anos atrás, o grupo japonês liderado pelo pesquisador Shinya Yamanaka surpreendeu o mundo ao demonstrar que células já especializadas de um indivíduo adulto, como células da pele, poderiam ser induzidas para um estágio primordial, comportando-se como células-tronco embrionárias. Essas células primordiais teriam a capacidade de formar outras células do indivíduo, como células do cérebro, por exemplo. Apesar do óbvio potencial de uso dessa tecnologia na medicina regenerativa, meu grupo e outros imediatamente visualizaram o uso para a modelagem de doenças neurológicas.
A reprogramação de células da pele foi feita pela expressão forçada de genes envolvidos na manutenção de células-tronco embrionárias humanas. Dessa forma, células da pele ‘pegam no tranco’ e passam a se comportar como células pluripotentes, tendo a capacidade de se especializar em outras células de outros tecidos.


O que vocês encontraram de diferente nos neurônios desses pacientes em comparação aos neurônios normais?


A característica mais fácil de se reconhecer foi o tamanho reduzido do núcleo das células neuronais dos pacientes em relação aos controles. Elas são 10% menores. Pode não parecer muito, mas células são tridimensionais, então a diferença levada ao cubo acaba sendo bem significativa. Essa simples observação já fornece uma explicação interessante do porque os pacientes com Rett apresentam uma redução do tamanho do cérebro, independente de degeneração neuronal.
Também observamos que os neurônios dos pacientes possuem uma menor arborização e uma redução no número de sinapses. As sinapses são estruturas pelas quais os neurônios se comunicam entre si. Isso sugere que as redes nervosas estariam defeituosas também. Confirmamos isso por métodos independentes.
O passo final foi investigar se as alterações eram permanentes ou não. Testamos algumas drogas na esperança de reverter essas características. Em duas ocasiões, encontramos compostos que foram capazes de deixar os neurônios doentes semelhantes ao grupo controle. Isso é fenomenal, pois indica uma potencial janela de aplicações terapêuticas.


Qual é a dificuldade em repetir essa estratégia em doenças que só se manifestam em idades mais avançadas, por exemplo a doença de Alzheimer ou a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que tem sido objeto de muitas pesquisas aqui no Centro do Genoma Humano?

As deficiências nos neurônios de pacientes cujas doenças só se manifestem em estágios avançados podem ser causadas por fatores cumulativos. Isso indica que pode levar anos até que os neurônios apresentem alguma alteração. Como não conseguimos manter os neurônios no laboratório por muito tempo, isso acaba sendo um fator limitante na pesquisa. Uma alternativa seria tentar o uso de agentes que acelerassem o processo de envelhecimento neuronal, o que poderia eventualmente revelar possíveis características da doença nessas células.



http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/celulas-tronco-ensinando-a-tratar-doenca-de-rett/

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Método Cuevas Medek Exercises (CME)

Definição
O Método Cuevas Medek Exercises (CME) é uma abordagem fisioterapêutica utilizada para crianças que possuem alteração no desenvolvimento motor causado por síndrome não degenerativa que afeta o Sistema Nervoso Central.


Esta terapia pode ser aplicada a crianças a partir de 3 meses de vida até que elas atinjam o controle da marcha independente. Como os terapeutas que utilizam o Método CME precisam expor à criança a influência da força da gravidade, através do progressivo suporte distal, o uso desta terapia pode ser limitado pela altura e peso da criança.

O Método CME foi criado e desenvolvido por Ramón Cuevas, fisioterapeuta chileno, durante a década de 70, em Caracas, Venezuela.


O princípio fundamental do CME é baseado no fato de que crianças que possuem comprometimento no seu desenvolvimento precisam reforçar seu potencial de recuperação natural. Esta propriedade do Sistema Nervoso Central continua a propulsar o processo de desenvolvimento mesmo após a seqüela ter se instalado.

A reação natural do "potencial de recuperação" isoladamente, não pode tirar a criança da situação de desenvolvimento motor anormal. Por isso é crucial iniciar a terapia motora no momento da detecção dos primeiros sinais de atraso na função motora.

O nível final de independência motora alcançado pela criança irá depender dos seguintes fatores:



1- A detecção precoce da alteração no desenvolvimento motor.

2- A existência do potencial de recuperação cerebral.

3- A aplicação no momento correto de uma abordagem significante de terapia motora.

4- A execução constante de exercícios apropriados até se atingir o total controle motor.



Ramón Cuevas



Ramón Cuevas é fisioterapeuta e criador do Método de fisioterapia CME.

Ramón graduou-se em fisioterapia na Universidade do Chile em 1969. Em 1971, começou a desenvolver a abordagem CME e culminou com sua criação em 1976, apresentado em um artigo intitulado Método Dinamico de Estimulación Motriz (MEDEM) no 4th Congresso Internacional da Associação Americana de Deficiência Mental, na Washington University, Washington D.C.

Em 1973, Ramón Cuevas participou da criação do primeiro centro de Intervenção precoce em Caracas, Venezuela.

Ele tem mais de 35 anos de experiência no tratamento de crianças com disfunção neurológica e músculo-esquelética.

Ramón ensina estudantes e profissionais em todo o mundo e tem participado de conferências na América do Sul e Estados Unidos.

Em 2000, Ramón Cuevas estabeleceu o Programa de Educação Continuada de Cuevas Medek Exercises (CMECEP- sigla em inglês) com o objetivo de aumentar o nível de qualidade dos cursos de CME para profissionais que trabalham com reabilitação pediátrica.

Ramón Cuevas tem publicado numerosos artigos e tem participado de publicações de livros de pais com este assunto.

Ramón Cuevas vive e atende em seu centro em Santiago, Chile, viaja pelo mundo para ensinar CME pessoalmente, com o objetivo de dividir com os participantes a evolução mais recente da terapia CME.



Carta do autor

Somente terapeutas que possuem certificação registrada no Programa de Educação Continuada de Cuevas Medek Exercises (CMECEP) possuem permissão para aplicar CME.

Não existe nenhum curso aprovado de CME sem a participação de Ramón Cuevas.

MEDEK e CME são propriedades intelectuais registradas por Ramón Cuevas.



Características

Provocar o aparecimento de funções motoras automáticas ausentes.

Cooperação e motivação da criança não são requisitos na terapia CME.

Expor a criança à influência natural da força da gravidade com progressivo suporte distal.

Manobras de alongamento são integradas na terapia CME.

Tônus muscular aumentado em extremidades não são obstáculos para se estimular o controle postural em pé.

Um período de triagem é proposto para se demonstrar resultados a curto prazo da Terapia CME.



Avaliação

O Método CME possui um protocolo de avaliação próprio composto de 41 itens.

Na avaliação serão realizados testes para se verificar o estágio motor da criança, sendo avaliado desde controle cervical até marcha independente.

No IMPDor, a avaliação dura em média 90 minutos e é composta pelo protocolo de avaliação CME, além da entrevista com o responsável e avaliação geral da criança. A avaliação é de fundamental importância para que se possam traçar os objetivos terapêuticos. Conhecer a rotina da família, a rotina da criança, as preferências da criança, além dos aspectos motores nos possibilita tratar a criança de forma global. Na avaliação os responsáveis deverão trazer todos os exames relevantes, assim como os relatórios hospitalares e terapêuticos e deverão vestir a criança com roupas confortáveis.



Exercícios

O CME possui mais de 600 tipos de exercícios. Cada exercício representa um desafio biomecânico particular para a criança. Cada exercício de fisioterapia demanda uma resposta ativa da criança e a escolha do exercício sempre estará diretamente relacionada com o potencial de reação dela. A porção de "arte" da terapia CME depende da habilidade do terapeuta CME em escolher e aplicar uma boa seqüência de exercícios durante a sessão de fisioterapia, com o objetivo de "provocar" novas reações espontâneas posturais funcionais.

A porção "científica" da terapia CME reside no emergir de novas respostas do cérebro imaturo.

A terapia CME propõe um período de prova de 8 semanas de tratamento diário para se provar que este programa de terapia pode ajudar a criança a progredir. O objetivo principal deste período de 8 semanas é alcançar pelo menos 3 dos objetivos propostos na avaliação.

Utilizando estes 3 objetivos como critério, os pais terão um método concreto de avaliar a efetividade da abordagem terapêutica utilizada com seus filhos.



Equipamentos

Este conjunto de caixas especiais é utilizado para aplicar a terapia CME assim que a criança tenha condições de se manter de pé apoiada pela coxa. As caixas possibilitam ao terapeuta e aos pais todas as possibilidades biomecânicas funcionais para estimular todo o espectro das reações de estabilidade em bípede e as respostas de equilíbrio.


O equipamento é composto por:

Três caixas com as mesmas medidas, uma caixa alta, uma prancha quadrada, um cubo e uma barra.

Sabendo como tirar vantagem do material CME, a criança poderá ser estimulada dinamicamente para se aprimorar a sua estabilidade em bípede, equilíbrio e controle da marcha. Este conjunto permite ao terapeuta realizar exercícios de forma segura e ergonômica, pois a sua execução acontece dentro do alcance do terapeuta.

Esta mesa com medidas especiais é útil e necessária para realizar o tratamento de crianças desde os exercícios de controle cervical até o momento em que elas sejam capazes de se manter firmemente em bípede auxiliadas pelos tornozelos.



Contra-indicação

Existem algumas contra-indicações para se receber a terapia CME:

Doenças degenerativas.

Osteogênese Imperfeita.

Epilepsia não controlada.

Bebês menores de 3 meses, exceto para terapeutas CME II e CME III.

Qualquer terapeuta que não possua formação em CME assinada por Ramón Cuevas.

Seguir informações passadas por profissionais não graduados em CME.



Perguntas freqüentes

1. O que é CME?

É uma abordagem utilizada em fisioterapia pediátrica baseada em exercícios dinâmicos desafiadores, que são aplicados manualmente em crianças que possuem comprometimento no seu desenvolvimento motor. Esta abordagem propõe objetivos concretos a fim de se estimular bebês e crianças de maneira segura, começando aos 3 meses de vida até muitos anos após nascimento.



2. Quem criou o Método CME?

O conceito da terapia CME foi criado pelo fisioterapeuta Ramón Cuevas.




3. O que significa CME?

É a sigla composta pelas iniciais da frase em espanhol:

Metodo Dinámico de Estimulación Kinesica (MEDEK). Em português significa “Método Dinâmico de Estimulação Cinética”.



4. Quais as características básicas do CME?

CME provoca o cérebro da criança para produzir respostas posturais automáticas e controle motor funcional.

CME expõe os segmentos corporais à influência da força da gravidade.

CME promove o uso do apoio distal máximo no corpo da criança.

CME desafia o sistema neuromuscular da criança com o objetivo de forçar o aparecimento de funções motoras ausentes.

CME integra exercícios de amplitude de movimento em manobras funcionais globais.

Quadros de hipertonia, espasticidade ou hipotonia NÃO limitam o uso da terapia CME.

Durante uma sessão CME, a irritabilidade emocional da criança é uma reação totalmente aceitável e não é visto como fator negativo para os objetivos da terapia.

O comprometimento intelectual da criança não é limitação ao programa de exercícios.





5. Que tipos de problemas motores podem ser tratados com CME?

Qualquer grau de atraso no desenvolvimento motor causado por:

Paralisia Cerebral.
Síndrome de Down
Doenças não degenerativas
Hipotonia.




6. Que tipo de avaliação é utilizado em CME?

O protocolo de avaliação foi desenvolvido em 1972 por Ramón Cuevas como um importante componente do conceito original de CME. Durante um período de 4 anos, esta avaliação passou uma experimentação minuciosa como parte curricular do projeto de pesquisa ARYET (auto risco e estimulação precoce). Este projeto foi coordenado por Neumann foundation e Clinic University Hospital em Caracas, Venezuela de 1977 a 1980.

A avaliação CME contem 41 itens desde controle cervical até atividades básicas de marcha e equilíbrio.



7. O que significa período de prova?

Após uma avaliação inicial, alguns objetivos específicos de progressos motores posturais funcionais são estipulados para serem obtidos no “período de prova” do tratamento de 8 semanas. Os pais são encorajados a participar ativamente para o sucesso dos objetivos.



8. Quanto deve ser o envolvimento dos pais no Programa Domiciliar?

O tempo de terapia varia de 30 a 45 minutos. Em bebês pode chegar a 20 minutos de terapia no início do tratamento. A situação ideal seria repetir a sessão duas vezes ao dia com um intervalo de 4 horas ou mais entre cada sessão. De acordo com os recursos da família, a participação dos pais pode reduzir em escala proporcional a intervenção do terapeuta.



9. O que faz CME ser uma escolha útil e efetiva para o tratamento de crianças com atraso?

A terapia CME pode direcionar o potencial de recuperação da criança à melhora funcional máxima, pois em cada exercício, a criança experimenta novas sensações através de posturas e movimentos que ela não pode fazer sozinha e nem através de exercícios de terapias convencionais.



10. Como funciona o programa intensivo ?

Avaliação do desenvolvimento, para se determinar o nível motor da criança.

Aplicação do programa de exercícios por um período intensivo de no minimo 1 semana e máximo de 4. Este programa é aplicado em 2 sessões de 45 minutos por dia para as primeiras 10 sessões. Após este período de estimulação intensiva, a partir do 6º dia os pais serão cuidadosamente treinados para o programa domiciliar. O final do programa será a filmagem para ilustrar com todos os detalhes cada exercício recomendado



quarta-feira, 16 de junho de 2010

GESSO SERIADO




A maior parte dos relatos da literatura concorda que o uso de órteses e gessos seriados facilita, em combinação com outros métodos, o desenvolvimento de padrões funcionais melhores em pacientes com espasticidade.
O gesso seriado é comumente usado após injeções de toxina botulínica tipo A com o objetivo de diminuir a espasticidade (contratura em equino) dos MMII. A razão para esta estratégia é fazer uso deste período de relaxamento muscular para alongar a musculatura dos membros inferiores (especificamente o tríceps sural). O método de realização do gesso seriado baseia-se na colocação da criança em posição pronada com o joelho flexionado a 90 graus. O gesso é aplicado com as articulações em posição neutra e com o tornozelo em máxima dorsiflexão passiva. Os gessos são trocados uma vez por semana por um período de três semanas e a cada troca há sempre necessidade de aumentar ao máximo a dorsiflexão passiva.
Muitos trabalhos na literatura discutem o uso da toxina botulínica associada ao gesso seriado. Booth M. Y. e cols. compararam pacientes que receberam tratamento com TBA e gesso e pacientes que somente receberam tratamento com gesso seriado. Os autores concluiram que o tratamento conjunto auxiliou os pacientes a atingirem melhor grau de movimentação do membro comprometido se comparado aos pacientes que receberam somente tratamento com gesso. Glanzman A. M. e cols da mesma forma concluíram em sua análise comparativa que os pacientes que receberam TBA e gesso obtiveram melhor resposta se comparados aos pacientes que receberam somente TBA. Bottos M. e cols. conlcuíram em seu trabalho que a TBA reduz a espasticidade e melhora a performance funcional da estabilidade e de marcha e que a associação da TBA e gessos seriados provê resultados mais marcantes e duradouros. Em contrapartida, Blackmore e cols. realizaram uma revisão sistemática dos efeitos do gesso associado ou não a TBA em pacientes com paralisia cerebral e pé em equino sendo sua conclusão contrária a maior parte dos relatos da literatura afirmando que não há evidência a favor e nem contrária a superioridade do uso do gesso associado a TBA. Em dezembro de 2007 foi publicado um importante estudo piloto realizado na Suíça comparando o uso precoce e tardio do gesso seriado associado a TBA que demonstrou um benefício claro na utilização do gesso seriado de forma tardia. Os autores recomendam a colocação do gesso somente 4 semanas após a aplicação da TBA na musculatura de tríceps sural. Sua argumentação baseia-se no fato de que o gesso colocado mais tardiamente ( 4 semanas X 2 semanas) evita episódios de dores intensas e desenvolve resultados mais duradouros no combate a espasticidade.
Neste apanhado geral sobre tratamento de espasticidade dos membros inferiores vale a pena ressaltar que de forma alguma tratamentos isolados alcançam objetivos ótimos. A reabilitação é um processo a longo prazo e que envolve uma complexa equipe multidisciplinar que em conjunto é capaz de proporcionar ao paciente uma melhor qualidade de vida frente a sua deficiência.

Tratamento da Paralisia Cerebral do tipo espástica após aplicação de Toxina BotulínicaTipo A em musculatura de Isquiotibiais Mediais

Ivani Morales Xavier, Fernanda Cavalheiro

e-mail: ivanifisio@yahoo.com.br

Orientador: Cleber Ricardo Cavalheiro

Colaboradores: Adriano Camilo Erbele, Jamile Gabriela Bronzatto Bassetto, Luiz Antonio

Pelegrino

Instituição: Hospital Estadual Bauru – Bauru/SP

End: Av. Eng. Luiz Carrijo Coube, 1-100 Jd. Santos Dumont, Bauru-SP

Palavras-Chaves: Paralisia cerebral, Toxina Botulínica tipo A, Espasticidade.

Introdução


 

A Paralisia Cerebral (PC) é definida como um grupo não progressivo, mas

freqüentemente mutável de distúrbios motores, especialmente do tônus e da postura,

secundário a lesão do sistema nervoso central em desenvolvimento, ou seja, desde a fase

embrionária até os dois anos de vida extra-uterina (GIANNI, 2005). A espasticidade é um dos

principais sintomas da síndrome do Neurônio Motor Superior, sendo definida como aumento do

tônus que não só limita o desempenho funcional, mas também pode levar ao desenvolvimento

deformidades (PORTELLA et al. 2004). Em meio a muitas intervenções, com o objetivo de

diminuir a espasticidade e previnir o desenvolvimento de deformidades, encontra-se a

cinesioterapia e mais recentemente a Toxina Botulinica Tipo A (TBA) que é uma neurotoxina

que atua na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de acetilcolina na placa motora e

proporcionando um maior relaxamento da musculatura, permitindo um alongamento maior dos

músculos injetados e melhora no padrão da marcha (FARIA, et al. 2001).


 

Relevância do Estudo


 


Avaliar o efeito do tratamento com TBA em portadores de PC espástica

em musculatura de isquiotibiais mediais.


 

Metodologia


 


Ensaio clínico, retrospectivo de caráter quanti-qualitativo, desenvolvido através

de análise de prontuários e dos protocolos do Ambulatório de Toxina Botulínica (Botox) da

Unidade de Apoio e Reabilitação do Hospital Estadual Bauru. A avaliação era composta pelo

arco de movimento articular do joelho e da espasticidade em musculatura de Isquiotibiais

medias realizado pré aplicação e reavaliados 30 dias pós aplicação. Os Critérios de inclusão

foram indivíduos portadores de PC do tipo espástica com indicação de aplicação de TBA e

critérios de exclusão, indivíduos não portadores de PC do tipo espástica. Para análise

estatística foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxom para dois grupos pareados

(p<0,05).


 

Resultados e discussão


 


Foram avaliados 43 prontuários, 27 sexo masculino e 16

feminino, média de idade 5,93 ± 2,87, hemiplégicos (11,63%), diplégicos (65,13%) e

quadriplégicos (23,26%). A Paralisia Cerebral do tipo espástica corresponde a 75% dos casos,

sendo a forma diplégica a mais comum (GIANNI, 2005), com maior incidência no sexo

masculino, condizentes com os resultados encontrados neste estudo (ROTTA, 2002). Em

relação ao arco de movimento houve melhora no ângulo poplíteo lento e rápido, observando

diminuição da espasticidade nos músculos isquiotibiais mediais (Figura 1).


 

Figura 1. Análise do arco de movimento do joelho – ângulo poplíteo no lento e no rápido.


A) Análise do ângulo poplíteo no lento à direita (* p<0.0009)

B) Análise do ângulo poplíteo no lento à esquerda (● p<0.005)

C) Análise do ângulo poplíteo no rápido à direita (▪ p<0.00017)

D) Análise do ângulo poplíteo no rápido à esquerda (○ p<0.00028)

A deformidade em flexão do joelho é causada como mecanismo compensatório da deformidade

do pé eqüino e a deformidade em flexão do quadril, por espasticidade dos flexores do joelho,principalmente isquiotibiais, estando de acordo com os resultados encontrados neste estudo

(RESENDE, NASCIMENTO, LEITE, 2005). Crianças com paralisia cerebral freqüentementeandam com flexão de quadril e joelho, denominado marcha crouch, que aumenta o gastoenergético durante a marcha (CURY et al., 2006).


 

Conclusão


 


A TBA associado a fisioterapia é eficaz no tratamento da PC do tipo espástica,

evidenciado pela diminuição da espasticidade e pela melhora do arco de movimento,

diminuindo assim o risco de deformidades fixas e melhorando o posicionamento das órteses,

trazendo melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.


 

Referências Bibliográficas

GIANNI, M. A. C. Aspectos clínicos. In: MOURA, E. W.; SILVA, P. A. C. Fisioterapia:

Aspectos Clínicos e Práticos da Reabilitação, 1ª ed. São Paulo, Artes Médicas, 2005,

p.13, 80.

CURY, V. C.R.; MANCINI, M. C.; MELO, A. P.; FONSECA, S. T.; SAMPAIO, R. F.; TIRADO, M.

G. A . Efeitos do uso de Órtese na Mobilidade Funcional de Crianças com Paralisia Cerebral.

Rev. Bras. Fisioter. v. 10, n.1, 2006.

FARIA, T. C. C.; MASIERO, D.; SPOSITO, M. M. M.; SAAD, M. A avaliação do uso da Toxina

Botulínica A e da Cinesioterapia na Melhora da Marcha do Portador de Paralisia Cerebral do

tipo Hemiparético. Acta Fisiátrica, v. 8, n 3, p. 101-106, 2001.

PORTELLA, L.V.; SANTIAGO, F. L. D.; MAIA, P. A.; MANCINI, M. C. Os efeitos da toxina

botulínica no tratamento da espasticidade; uma revisão de literatura. Rev. Bras. Fisioter. v. 7,

n. 3 , p. 47-55, 2004.

RESENDE, C. M. G.; NASCIMENTO, V.F.; LEITE, J. M. R. S. Eficácia da Toxina

Botulínica Tipo A Associada a Fisioterapia em uma Criança Hemiplégica Espástica.

Rev. Neurociências, v. 13, n. 1, p 17-20, 2005.

ROTTA, N. T. Paralisia Cerebral, novas perspectivas terapêuticas. Jornal de Pediatria, Vol. 78-

Supl. 1/ S48, 2002.