sexta-feira, 16 de maio de 2014

O uso de um derivado da maconha no tratamento da epilepsia

A brasileira Any Fischer, 5 anos, sofre da síndrome de CDKL5, um problema genético raro que causa uma epilepsia grave e sem cura. Aos 3 anos, ela conseguiu andar, mas, em poucos meses, perdeu quase tudo o que havia conquistado em seu desenvolvimento. Ela sofria cerca de 60 convulsões por dia. A família, inconformada com a situação, foi atrás de uma alternativa e ficou sabendo sobre os benefícios do canabidiol (CBD), substância extraída da maconha e proibida no Brasil. O CBD é um componente da maconha que não dá "barato". Seu único efeito colateral conhecido é causar sono. A substância tem sido usada como remédio em parte dos Estados Unidos e Israel, entre outros países. Com o componente, as convulsões diárias de Any sumiram. "O que ela perdeu em quatro meses, o canabidiol devolveu em nove semanas", conta a mãe, Katiele, em um documentário lançado nesta quinta-feira (27), em São Paulo. O uso de CBD para crianças com epilepsia se popularizou a partir do ano passado, nos EUA, após a divulgação do documentário "Weed", da CNN, que mostra como a substância mudou a vida de uma outra menina que sofre de uma forma rara de epilepsia. O filme americano contou com o neurocirurgião Sanjay Gupta, que, depois de conhecer casos como o da criança, chegou a publicar um artigo em que pede desculpas por um texto escrito anos antes, em que se manifestava contrário o uso medicinal da maconha. Ilegal Apesar dos benefícios inquestionáveis do CBD para Any, os pais da menina vivem um dilema: eles sabem que o que estão fazendo é contrabando. Essa é a razão pela qual o documentário "Ilegal" foi criado. Sua exibição marca o início de uma campanha para arrecadar fundos para criar um portal de informações sobre o uso medicinal da Cannabis sativa e seus derivados. A iniciativa partiu do jornalista Tarso Araújo, que, após fazer entrevistas para um especial sobre a maconha, ficou sensibilizado com a história de Katiele e percebeu como é grande a ignorância sobre o uso medicinal da planta no país. "Foi uma indignação tão grande que achei que um filme faria a história repercutir melhor", conta Araújo, que dirigiu o documentário com Raphael Erichsen. O filme, produzido 3FilmGroup.tv, foi feito com dinheiro do próprio bolso. Já para criar o site o grupo espera contar com doações. O objetivo, Tarso ressalta, não é levar à aprovação do uso, mas gerar informação e fazer as pessoas debaterem o assunto. "Já existem projetos na Câmara e no Senado que propõem regular o uso medicinal de maconha, mas eles só têm chance de serem aprovados se as pessoas souberam que essa planta também pode ser remédio". As informações sobre a campanha estão no link catarse.me/repense.

Canabinoide pode diminuir a frequência das convulsões em epiléticos

Nem só de THC e CBD é feita a maconha. Outros canabinoides presentes na planta também possuem propriedades medicinais, a exemplo do cannabidivarin (CBDV), que pode diminuir as convulsões e até suprimi-las por completo. Isso é o que indicam as pesquisas da Universidade de Reading, no Reino Unido, que já pesquisa o assunto há algum tempo. Segundo o resumo do mais novo estudo na área, “em acordo com os achados anteriores, o CBDV diminuiu significativamente gravidade das crises induzidas por PTZ, aumentando a latência para o primeiro sinal de convulsão”. A conclusão é a que os “resultados fornecem a primeira confirmação molecular dos efeitos observados do canabinóide anticonvulsivante não- psicoativo , CBDV, após convulsões induzidas quimicamente e servem para sublinhar a sua adequação para o desenvolvimento clínico”.

Leo Ficando em pe sozinho pela primeira vez (CME-Meek)

O cérebro calibrado

A estimulação de áreas cerebrais com eletrodos ou ondas eletromagnéticas começa a ser estudada para tratar a depressão pós-parto e a dislexia O cérebro calibrado A estimulação de áreas cerebrais com eletrodos ou ondas eletromagnéticas começa a ser estudada para tratar a depressão pós-parto e a dislexia Mônica Tarantino
TERAPIA O psiquiatra Marcolin segura a bobina que libera ondas magnéticas controladas O uso de ondas elétricas ou mag­­néticas para regularizar o fun­cionamento cerebral é um recurso que está ganhando força na medicina mundial. O procedimento pode ser feito de várias formas, mas as duas principais são a implantação cirúrgica de um eletrodo em uma área predeterminada do cérebro, de acordo com a necessidade, ou a estimulação com ondas magnéticas emitidas por um aparelho. O primeiro método chama-se estimulação cerebral profunda, ou DBS, sigla de Deep Brain Stimulation, seu nome em inglês. A outra técnica, a que não requer cirurgia, é a estimulação magnética transcraniana (EMT). Nos dois casos, des­car­gas de energia modificam o padrão de trabalho de áreas do cérebro. “São métodos promissores para o tratamento de problemas neurológicos e psiquiátricos”, disse à ISTOÉ Julian Bai­les, diretor do Centro de Cirurgia Neurológica da Faculdade de Medicina da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos. Na instituição está em andamento um dos experimentos mais avançados nesse campo. Lá, três pacientes foram submetidos à implantação de eletrodos no cérebro para tratar a obesidade. É o único centro americano que está fazendo esse tipo de estudo. Por determinação do Food and Drug Administration (FDA), a agência americana que regula procedimentos e remédios, essas três pessoas terão de ser observadas durante todo o ano antes que o experimento seja ampliado. Como existem mais de 60 mil possibilidades de ajuste para os pulsos elétricos, os pesquisadores avaliam as reações dos pacientes para determinar a regulagem certa. “Neste momento, os três estão em processo de perda de peso e com saúde boa”, disse à ISTOÉ o neurocirurgião Donald Whiting, um dos coordenadores do estudo.
Uma das pessoas operadas por ele foi a americana Carol Poe, 60 anos. Ela já tinha tentado de tudo para emagrecer, dos remédios à cirurgia bariátrica (a redução do estômago). Desta vez, porém, três dias após a intervenção, havia começado a emagrecer. “Mas nosso objetivo agora nem é propriamente a perda de peso, e sim saber como os indivíduos toleram essa excitação cerebral, que nunca foi feita antes, e conhecer seus efeitos colaterais”, explica Bailes. Nesse caso, a neuroestimulação é feita com o objetivo de equilibrar o funcionamento da região cerebral responsável pela sensação de saciedade. Por isso, os eletrodos foram implantados perto do hipotálamo, estrutura envolvida nesse processo. A meta da intervenção é modular a liberação de substâncias que fazem a comunicação entre neurônios, entre elas a dopamina. Taxas adequadas do composto são importantes para regularizar os mecanismos que levam as pessoas a se sentir satisfeitas e parar de comer. No Brasil, o neurocirurgião carioca Paulo Niemeyer anunciou que poderão ser feitos testes com o método, mas não quis dar detalhes. MENTE O método já é usado na França, Alemanha e Dinamarca para tratar casos de enxaqueca Em estudo há duas décadas, uma das primeiras aplicações da estimulação profunda cerebral foi para tratar a epilepsia. A inserção de um eletrodo no lobo temporal (asssociado à atenção e memória) tem se mostrado eficiente para controlar as crises da doença. A terapêutica também é bastante usada no controle de dores crônicas e para amenizar os movimentos involuntários do mal de Parkinson, relacionados com alterações na dopamina. Neste caso, os pulsos emitidos pelos eletrodos ajudam a regular o sistema motor. Mas, como no caso da obesidade, ainda há muito a ser entendido. “Em cerca de 40% dos casos, a implantação do eletrodo não melhora a situação dos pacientes de Parkinson”, diz o neurocientista Erik Fonoff, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Por isso, junto com a colega Camila Dale, ele faz uma pesquisa de ponta para decifrar, em animais, os circuitos percorridos por esses impulsos elétricos e as modificações bioquímicas que promovem. “Nossa investigação pode indicar novas opções de tratamento ou revelar motivos pelos quais esse tipo de tratamento não dá resultado em alguns casos”, diz Fonoff. Sem necessidade de cirurgia, a estimulação cerebral com ondas eletromagnéticas é feita com bobinas colocadas sobre a cabeça. Elas liberam ondas que atravessam o crânio e penetram no cérebro, gerando um estímulo dez mil vezes mais potente do que o campo magnético da Terra. No Brasil, o Grupo de Estimulação Magnética Transcraniana do Hospital das Clínicas de São Paulo, coordenado pelo psiquiatra Marco Antônio Marcolin começou uma pesquisa inédita. Em parceria com a Universidade Estadual de Campinas, o especialista testa os efeitos das ondas magnéticas em crianças com dislexia, um problema caracterizado por distúrbios de aprendizado, linguagem e leitura. Até o momento, não há intervenção ou cura para esse distúrbio. O que se pode fazer é treinar a criança com a ajuda de fonoaudiólogos e psicopedagogos para melhorar sua performance. POTÊNCIA O estímulo gerado pelas ondas que atravessam o crânio é dez mil vezes mais forte do que o campo magnético da Terra O novo estudo, com 40 crianças e jovens com idades entre 7 e 15 anos, é continuação de uma pesquisa com quatro crianças cujos resultados serão publicados em breve na revista “Child Neuropsichology”. “Duas delas apresentaram uma melhora importante na atenção logo após a aplicação da EMT”, diz o especialista. Em outro braço de pesquisa, Marcolin experimentará as ondas magnéticas em jovens com autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Para ajudar no ajuste dos aparelhos a cada paciente, está sendo criado um banco de dados sobre a reação de cada tecido do cérebro aos pulsos magnéticos. “Será pos­sível fazer simulações virtuais para individualizar o tratamento”, diz o engenheiro e psiquiatra Fábio Daro, do Instituto de Psiquiatria da USP. Mais uma aplicação inovadora des­sa tecnologia é o combate à depressão pós-parto, estudo para o qual o Instituto de Psiquiatria está recrutando voluntárias. Uma pesquisa anterior, coordenada por Marcolin e pioneira no mundo, revelou o potencial do tratamento em dez mães com depressão moderada ou severa. “Houve melhora especialmente em funções como a organização mental e no desempenho das atividades diárias”, diz. Neste caso, os estímulos são dados no córtex dorso lateral pré-frontal esquerdo, uma área que trabalha menos do que deveria nas depressões e entra no ritmo adequado sob os pulsos magnéticos. É um estudo crucial para o desenvolvimento de novos tratamentos. Como está comprovada a presença de resíduos de antidepressivos no leite materno, é importante buscar opções não medicamentosas para oferecer às pacientes. img2.jpg DETALHES Os neurocientistas Erick Fonoff e Camila Dale estudam mudanças na química cerebral causadas pela estimulação com eletrodos Atualmente, a EMT é aprovada em países como Alemanha, França e Dinamarca, entre tantos, para o tratamento da depressão. Além disso, é usada em caráter experimental na fase eufórica dos transtornos bipolares (a outra faceta é a depressão), enxaquecas, dores da fibromialgia, zumbido no ouvido e alucinações auditivas de pessoas com esquizofrenia. No Brasil, entretanto, o método está disponível apenas em clínicas particulares e em caráter de pesquisa na rede pública. “Vamos pedir uma revisão ao Conselho Federal de Medicina para que esses tratamentos possam ser oferecidos mais amplamente”, diz o psiquiatra Marcolin. Confira a matéria: http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/56991_O+CEREBRO+CALIBRADO/2

Roupa biocinetica

domingo, 26 de janeiro de 2014

Feasibility of using whole body vibration as a means for controlling spasticity in post-stroke patients:

Feasibility of using whole body vibration as a means for controlling spasticity in post-stroke patients: A pilot study. Miyara K1, Matsumoto S2, Uema T1, Hirokawa T1, Noma T1, Shimodozono M3, Kawahira K3. Author information Abstract To examine the feasibility of adapting whole body vibration (WBV) in the hemiplegic legs of post-stroke patients and to investigate the anti-spastic effects, and the improvement of motor function and walking ability. Twenty-five post-stroke patients with lower-limb spasticity were enrolled in the study. Each subject sat with hip joint angles to approximately 90° of flexion, and with knee joint angles to 0° of extension. WBV was applied at 30 Hz (4-8 mm amplitude) for 5 min on hamstrings, gastrocnemius and soleus muscles. The modified Ashworth scale was significantly decreased, active and passive range of motion (A-ROM, P-ROM) for ankle dorsiflexion and straight leg raising increased, and walking speed and cadence both improved during the 5-min intervention. Our proposed therapeutic approach could therefore be a novel neuro-rehabilitation strategy among patients with various severities. Copyright © 2013 Elsevier Ltd. All rights reserved. KEYWORDS: Hemiplegia, Spasticity, Stroke, Whole body vibration PMID: 24439649

domingo, 24 de novembro de 2013

Take Advantage of the Periods of Peak Neuroplasticity

Children’s brains grow at a higher rate throughout the first 18 to 24 years of life than they do as adults. Within this extended time period, there are two periods of even more rapid brain growth; birth to 4 – 6 years and for 4 – 6 years during puberty. The two periods of most rapid brain growth are marked in red on the diagram. In my experience, parental hope for recovery follows a different curve starting high and maintaining over the first 4 to 6 years. In the early high growth period, there is a terrific match of goals and possibility. The parents have the goal of complete recovery and are highly motivated to do anything that may help their baby. The baby’s brain (or nerve) is in the process of recovery and is capable of responding with exuberant neuroplasticity. The 4 to 6 years of pubertal brain growth are equally important. Unfortunately, during puberty, there often is a mismatch between the parents hope for change and this neuroplastic opportunity. By the time the teenager’s brain is going into the active growth and development period of puberty, the parents’ belief in the possibility of change has been lowered. It is hard for anyone to maintain enthusiasm and motivation in the face of failure to reach a goal. Parents who worked hard to help their child to walk normally start to realize, at about 6 to 8 years, that the child’s gait is still abnormal. Often, at about this age, surgery is recommended to correct biomechanical distortions. They have to wonder if this approach will work any better than what they have already tried, because by this age, most parents have learned to have a certain amount of cynicism about people who promise great gains. Their motivation and hope for change have been slowly chipped away. To compound the problem, many professionals have encouraged them to “accept reality” and get on with life. Here are some good news and bad news facts. The pubertal brain growth spurt will give the child about 40% more brainpower, but in the process it also turns them temporarily into alien beings who start arguing with their parents and standing up for their choices. This is the time when young people often decide that they are not going to wear braces, they are not going to do therapy, and most importantly, they will not consider surgical correction of the bodily distortions that they have. If we look at this situation from their viewpoint, they have gone to therapy all their life and it did not achieve their goals. Why should they agree to do more? It’s not surprising that parents start to consider the child’s wishes more and gradually, whatever therapeutic regime was underway gets further chipped and eaten away. In my view, this is a tragedy. Puberty offers a second chance for major change. A child in puberty is like a peak performance athlete on illegal drugs. They are growing rapidly because they have excess amounts of growth hormones, anabolic steroids, and hormones that initiate sexual development. As their prefrontal cortex matures, they are capable of motivated, focused work in therapy. In my own experience, any teenager who goes into intensive, motivated practice in puberty will improve, usually by one or two levels of function. It is a golden opportunity that is almost universally wasted. I was recently at a parents’ meeting and was asked by several parents what to do about therapy when the teenager does not want to do it. My answer is, be a parent. Your job is to motivate your child into a positive mindset. If you are having trouble, seek help. I think what drives me the craziest about all of this is that somehow, treatment for progressive neurologic and biomechanical distortions is treated as if it is optional. What if your teenager was diagnosed with a serious, chronic medical problem such as early onset diabetes (type I)? These children need insulin and have to have it daily. They need blood tests and they have multiple tests every day, 7 days a week. They need to do a regular exercise routine and if they don’t, their blood sugar goes out of control. Parents have to be vigilant about what they are eating every day, every week, every month for life. Possibly the difference is that if you have this type of medical condition, noncompliance with the therapeutic regime often gives you an instantaneous feedback. In non-compliant teenagers with an early neurological injury, the bad effects are also visible, but they occur slowly and we all adapt and accept the changes as inevitable. Here is the harsh reality. With our current methods of treatment, the majority of children diagnosed with cerebral palsy are going to have permanent biomechanical distortions in adulthood. Experts in Brachial Plexus Injury treatment teach that there is an expected progressive biomechanical distortion with growth. Long-term follow-up studies of adults who had an early neurological injury indicate that the issue that most interferes with their quality of life is chronic musculoskeletal pain. The data is in. It is evidence-based. Yet treatment, both to prevent distortions in the early stages and correct distortions in the later stages of childhood and adolescence are still considered optional by many. This is just bad medicine. The teenager with diabetes is not allowed to go off his treatment regime. The teenager with asthma does not get to choose to stop using his inhaler. I could go on and on and on. Preventing distortion and maintaining alignment are absolute necessities for any child with cerebral palsy. Next week I will write about intensives for teens. Not only do they work wonderfully well, but if you do it right, you can build motivation quickly. Further Reading Under Browse by topic: Alignment and Cerebral Palsy Spasticity Series blogs. Selected References 1. Waters PM. Obstetric Brachial Plexus Injuries: Evaluation and Management. J Am Acad Orthop Surg. 1997 Jul;5(4):205-214. 2. Andersson C, Mattsson E. Adults with cerebral palsy: a survey describing problems, needs, and resources, with special emphasis on locomotion. Dev Med Child Neurol. 2001 Feb; 43(2): 76-82. 3. Schwartz L, Engel JM, Jensen MP. Pain in persons with cerebral palsy. Arch Phys Med Rehabil. 1999 Oct;80(10):1243-1246. 4. Jahnsen R, Villien L, Aamodt G, Stanghelle JK, Holm I. Musculoskeletal pain in adults with cerebral palsy compared with the general population. J Rehabil Med. 2004 Mar;36(2):78-84.